sexta-feira, 11 de julho de 2008

Será que sou megalômano?

Eu pretendia abordar um assunto que me pareceu piada no início. Vamos por partes. Primeira parte: deu no "O Globo" de 05/07/2008, página 35.
Manchete: "A volta de Dante"; subtítulo: "Poeta é perdoado 706 anos depois de condenado à morte".
Matéria de página inteira. Li a matéria de página inteira.
Minha ligação com o Dante é antiga. Trata-se de Dante Alighieri, poeta italiano.
Aprendi muito cedo que êle era um dos muitos amantes que se notabilizaram através dos tempos. Sua amada seria Beatriz.
Pausa para uma explicação. O primeiro dinheiro que ganhei como ator profissional foi graças ao Dante, na rádio Cultura de Poços de Caldas, no ano de 1955. Tínhamos lá um profissional do "radio de verdade", o Sebastião Leporace, irmão de outro conhecido comunicador, Vicente Leporace.
Sebastião produzia e apresentava um programa semanal e se propoz a "descobrir talentos" naquela época e eu me candidatei. A prova era "ao vivo", com auditório e tudo o mais. Foi-me dado um texto do próprio Sebastião Leporace, um esquete radiofônico, "Amores célebres no século XX", "Dante e Beatriz". Era Dante, o poeta italiano.
Numa história curta e bem-humorada, tratava-se da discussão da relação entre os dois, Dante e Beatriz. Estariam morando junto há mais de 10 anos e até aquele momento ainda não tinha sido marcada a data para o casamento dos dois. Claro que tudo se passando na atualidade de então.
O esquete terminava com Dante, cìnicamente, exigindo do sôgro, pai de Beatriz, uma indenização visto que já tinha mais de 10 anos de casa e não poderia ser dispensado assim sem mais nem menos.
Esta a minha ligação com Dante. Graças a êle, ganhei meu primeiro "cachê" como ator. Me lembro da alegria que tive com meu primeiro dinheiro ganho. Outros vieram.
Mas voltemos à matéria do jornal. "Poeta é perdoado 706 anos depois de condenado à morte"?
Espere aí: esse tempo todo o poeta ficou no corredor da morte, aguardando a chegada do carrasco para cumprir a sentença macabra? O poeta era de Florença. A expectativa de vida de Florença era essa? Que juiz piedoso resolve comutar a sentença? Como seria a execução? Teria direito o condenado a um último desejo? E mais inúmeras interrogações, todas estupefatas.
Aí fui pesquisar mais a sério a história.
Dante Alighieri era de uma família de nobres e, ainda jovem, foi condenado à morte na fogueira, caso voltasse a cidade. Epa! O acusado não esteve presente ao julgamento? Não! Foi tudo jogada política da época. Era tudo um jogo para se aceitar ou não a máxima autoridade do papa de então.
E Beatriz onde entra nisso? Consta que Dante a viu sòmente UMA vez, quando ela era ainda uma criança. Um AMOR PLATÔNICO, e ... PEDÓFILO?
Quando a idéia do perdão a Dante foi debatida na Câmara dos Vereadores e não foi unânime. Muitos vereadores não compareceram e só tiveram quórum por UM VOTO.
Consta que o "perdão" foi concedido para se agradar a um único descendente de Dante. Que beleza se poder viver em Florença, uma cidade que não deve ter problema algum. Nunca estive lá, mas gostaria de poder ver como é a sociedade ideal, sem transito, sem barulho, sem poluição, sem nenhum dos problemas que afligem os comuns dos mortais. Uma cidade que se dá ao luxo de mobilizar seus representantes do povo para dar o perdão a quem nunca o pediu.
Aí eu me vejo tomado de megalomania. Como é? Simples. Todos os que me conhecem sabem que eu gostaria de montar um espetáculo, de cunho espírita, sob o tema ABÔRTO. Estaria também prestando meus serviços a uma causa na qual acredito, mas da qual não sou divulgador. Preferia mostrar através do teatro as causas e consequências desse atentado contra a vida espiritual. Sem proselitismo, que não é minha praia.
Recebo e-mail de pessoa conhecida falando da disposição de determinada pessoa que é candidata à prefeitura a me apoiar nessa empreitada.
Espera aí de novo. Quer dizer que para poder realizar meu projeto teria que me engajar a algum projeto paroquial de poder? Muito obrigado. Os espíritos que estão na fila de espera para reencarnar também agradecem. Preferiam fazê-lo em outras circunstâncias. Não precisam e não querem êsse auxílio político assim como Dante Alighieri também não pediu perdão a Florença quando em vida.
Isto posto, será que não estou sendo megalômano? Parece que depois que me descobri internacional tenho que voltar a exercitar a humildade, o que sempre fiz sem problemas.
Ou os representantes que Florença elege e nós aqui elegemos não merecem respeito?
Já fui Dante em início de carreira e estaria me preparando para um perdão 706 anos depois?
H-E-L-P! S-O-C-O-R-R-O!

Um comentário:

Vera disse...

NOSSAAAAAAAAAAAA! QUE CONFUSÃO!!!!MAS VALEU CHEGAR AO FINAL