quarta-feira, 2 de julho de 2008

Vou me meter a internacional.

Na minha última postagem contei que estive em São Paulo para visitar minha irmã que está para voltar à Patria Maior. Mas não fiz só isso, não.
Também aproveitei para ligar para um velho amigo meu, autor teatral, o Cesar Vieira. Batemos um bom papo pelo telefone e êle, que já tem diversos livros publicados, me falou de seus dois mais recentes.
No início de minha carreira como ator, éramos quase que inseparáveis. Protagonizamos cenas lindíssimas de amor à profissão e de talento de parte a parte. Êle fazia muitas conferências sôbre teatro e eu as ilustrava. Dava gosto inocular ideías de liberdade e cidadania nas cabeças jovens de então.
Fundamos um grupo de teatro que foi o embrião do "União e Olho Vivo".
Mas eu também precisava ganhar dinheiro. E a vida levou minha carreira para outros meios. Continuei ator. O grupo de teatro existe até hoje e já se apresentou até no exterior. Com sucesso. Participei de uma festa por ocasião do vigésimo quinto aniversário do grupo aqui no Rio de Janeiro e vi nos integrantes de então a mesma chama que me movia no início. Muito gratificante.
Mas o meu meio de sobrevivência e agora o local de moradia nos afastaram de novo. O Cesar Vieira em São Paulo e eu no Rio.
Pois bem: nessa última conversa êle me contou que sou citado nos dois últimos livros que publicou. E vai me mandar os exemplares. Para um grupo internacional, posso me meter a internacional.
E, enquanto eu contava isso ao meu técnico de informática, prestei atenção na Globonews. Foi libertada Ingrid Betancourt na Colombia. Acho que a grafia correta do nome dela é essa.
Me comoveu ela se ajoelhar e rezar no aeroporto agradecendo sua libertação.
Pra quem passou anos no cativeiro, espero que suas convicções democráticas continuem firmes.
Era a mesma liberdade que pregávamos na minha juventude nas conferências que o Cesar Vieira fazia. Só que vivíamos aqui numa ditadura.
Aí, logo mais no noticiário da noite, vejo o presidente dos EUA, o Bush, elogiar a ação que libertou a senadora Ingrid Betancourt, que tem dupla nacionalidade: é francesa e colombiana.
Como eu agora posso me julgar internacional, também vou elogiar a libertação. Só.
Sr. Bush, agora que o senhor já está sendo considerado um "pato manco", porque no te callas?
A liberdade agradece.

3 comentários:

Unknown disse...

Gostei do que li. Gostaria de ler os livros que menciona.
Quanto a senadora Ingrid, assisti a reportagem e os agradecimentos também em frances . Parabéns.
Geny

Vera disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vera disse...
Este comentário foi removido pelo autor.