terça-feira, 18 de novembro de 2008

Voltei?

Peço permissão para uma pausa pessoal. Estive muito ocupado com vários problemas de saude entre os meus, bem como com outros problemas bem prosaicos. Meu genro já foi operado, minha filha vai ser a próxima, já renovei minha CNH, já fiz os exames que tinha que fazer... acabou?
Claro que não. Mas vai se levando a vida como se pode. Felizmente os problemas particulares que estão me mantendo afastado do meu blog são insignificantes perto de outros que assolam esse mundo doido.
Mas hoje estou realmente chateado.
Um grande amigo meu, o Chico Borges, partiu para o andar de cima.
Ele era locutor de cabine na TV Tupi e apareceu na dublagem, graças ao Cazarré. O nome artístico dele era FRANCISCO JOSÉ. Só que eu já estava na dublagem; há pouco tempo, mas já estava. Para não haver confusão nas escalas, ele passaria a adotar o nome de FRANCISCO BORGES.
E nos tornamos amigos. Ele esteve no meu casamento. Quiz até fazer discurso, mas o demovi a tempo, visto que só poucos parentes meus estavam presentes, era uma cerimonia bem íntima.
Muito tempo depois, estive no casamento dele com a Lourdes. Até brincávamos, porque isso foi depois de promulgada a lei do divórcio. Então, ele ia se casar com a mesma mulher depois de anos?!
E continuamos amigos pelos anos afora. Nós nos permitíamos o tratamento de XARÁ. Além de muitas outras afinidades.
E eram muitas rodadas de palitinho com o seu João Valério, que só era menor do que seu enorme coração. Seu João morava perto do aeroporto e, na sua kombi, dava carona ao Xará, que morava na Vila Nova Conceição, e a mim, não sem antes passarmos pela Bela Vista, em lugares que seu João Valério conhecia por causa da linguiça calabreza de primeira. Mas antes tinhamos que passar pelos botecos para "mais uma". Por essa época eu ainda morava no centro de São Paulo. Esse périplo era quase que diário e sempre haveria o dia seguinte para mais uma...
No dia seguinte, todos estávamos no trabalho como se nada demais houvesse acontecido.
O tempo passou, mudamos de empresa, de endereço, eu até de estado.
Trabalhamos em outros lugares, já sem o seu João Valério, que tinha ido para o andar de cima.
Ganhei certa vez um relógio do Xará. De corda ainda, pois que os modernos ainda não existiam.
Esse relógio eu perdi num dos roubos de que fui vítima.
Meu último trabalho de direção de dublagem em São Paulo foi um seriadinho de desenhos animados, o Sinuca e Borba. Era sobre uns matutos americanos, Barney Google e Snuffy Smith.
Na adaptação para o português ficou Sinuca e Borba.
Dirigi os 4 primeiro episódios escalando a mim mesmo como Borba e o Xará como Sinuca. Eram tipos muito divertidos.
Mas houve uma fofoca muito forte e eu preferi pegar o meu boné e vir para o Rio.
15 dias depois, para minha surpresa, o seriadinho veio para ser dublado num estúdio do Rio, porque o cliente queria manter o mesmo elenco principal.
E terminamos aqui no Rio a dublagem deste seriadinho. Os fixos eram Francisco Borges, Francisco José e Iolanda Cavalcanti. A direção foi entregue ao Jorgeh Ramos.
Nessa época eu estava me firmando aqui no Rio. Aconteceu de eu receber o pagamento de uma quinzena. Eu precisava mandar dinheiro para minha família, que ainda estava em São Paulo.
Quem foi o portador? Só podia ser meu amigo de fé, meu irmão camarada, Chico Borges. E ele o fêz com uma presteza extraordinária...
O tempo passou mais um pouco e eu precisei entrar em contato com uma autora de teatro de São Paulo. Quem me socorreu mais uma vez? O Chico Borges. Foi nosso último contato. A vida nos separou pela distância, não pela amizade.
Dia desses, pelo Marco Antonio, recebo notícias de um blog que trata da AIC-São Paulo, notícias de dubladores que faleceram. Lá estava o nome do Chico Borges.
Não acreditei a principio. Sabia que o Chico tinha andado doente. Hoje tive a ideia de procurar na página da AIC. Lá está a notícia com data e tudo. Não vou postar nada no forum da pagina, porque tive muita coisa em comum com o Xará. Mas aqui eu posso dizer mais do Chico.
A morte não existe, é apenas uma mudança de plano. Sai-se de um plano terrestre e vai-se para a Pátria Maior.Nessa Patria Maior vamos estar verdadeiramente com espíritos amigos e, à medida que evoluímos, chegamos mais perto do Criador.
Pelo que conheci do Xará, tenho certeza de que ele agora está bem agasalhado e rodeado de grandes amigos.
A partir de hoje, há um espaço reservado ao Chico Borges em minhas orações.
Um amigo muito especial.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Minha ausência.

Estive ausente por mais de um mês. Foi por uma boa razão. De ordem pessoal, mas uma boa razão.
E nesta volta, vou começar plagiando. Plagiando um dos colunistas que eu gosto de ler. Não o único, mas um deles. O Artur Xexé0. É só a última parte de sua coluna de hoje, 17 de setembro de 2008.

"Ultimamente o "Superpop" tem experimentado Narcisa Tamborindeguy como reporter. É um espanto. Outro dia, numa festa, ela encontrou Paulinho Jobim. Não quiz perder a oportunidade de dar um furo:
- E ai, Paulinho, me conta uma novidade sobre o Tom.
O entrevistado nem teve que pensar muito.
- Já faz algum tempo que não tenho novidades sobre ele.
Em seguida, na mesma festa - era um casamento -, Narcisa entrevista a noiva.
- E aí, querida, onde vai ser a lua-de-mel?
- Vou para as Ilhas Seyschelles.
- Que maravilha! Vai com o maridão?
Essa reporter promete."

E, como diria Millor Fernandes: Pano rapidíssimo.

domingo, 13 de julho de 2008

Estou ficando...

Nunca fui de ficar sòsinho com meu umbigo. Também nunca fui de me meter com a vida alheia.
Sempre tratei de manter extranhos recém-conhecidos com cordialidade mas sem deixar que a aproximação fôsse tão íntima assim. Essa foi minha maneira de colecionar amigos de longa data.
Nunca fui o primeiro a hostilizar ninguém. Mas quando me sentia hostilizado sabia erguer em torno de mim uma verdadeira muralha intransponível.
Nas minhas postagens anteriores, falei que estou ficando internacional, logicamente em tom de gozação. Eu deveria ter feito como se faziam nos scripts de rádio-teatro, indicando entre parêntesis as intenções do texto. Também falei de megalomania. Essa mania de a gente se achar o centro do mundo, a gente e Deus, mais ou menos nessa ordem.
Pois não é que o assunto que foi matéria de capa da revista de O Globo deste domingo tratou da primeira pessoa a manter um blog? O nome dela é Clarah Averbuck.
Ela concede uma entrevista e fala do que ganhou e do que perdeu enquanto se expoz no blog.
Acho que também estou ficando advinho, depois de internacional e megalomaniaco.
Numa postagem anterior, acho que foi onde me declarei internacional, comentei a libertação de Ingrid Betancourt e saudei sua libertação e os comentários do sr. Bush. Mais não quiz dizer porque acho que o meu ponto forte é o humanitário. Não queria misturar humanidade com política porque essa mistura não dá certo. Pois não é que isso está provàvelmente influenciando as sucessão na Colombia? Além da operação de resgate estar sob suspeita?
Aí a minha megalomania (CLARO QUE EM TOM DE IRONIA) me faz ter a audácia de comentar a inciativa de um deputado federal por São Paulo. Deputado que foi muito criticado por mim em conversas de happy hour com meus amigos. Agora estou falando de Clodovil Hernandez.
Como conhecia a figura por suas inúmeras aparições na TV, achava que sua eleição não era merecida. Que contribuição Clodovil poderia dar à câmara dos deputados? Talvez a decoração de seu gabinete e mais a nomeação de alguns assessores para a casa de leis que merece mais ser chamada de casa da mãe Joana.
Pois não é que o Clodovil, quietinho, quietinho, coletou assinaturas para um projeto que reduz o numero de deputados para 250, ao invés dos 513. Claro que muitas assinaturas serão retiradas na hora da onça beber água.
Estaria eu advinhando que esse projeto não vingará?
Estou ficando internacional. Estou ficando megalomaníaco. Estou ficando advinho.
Também estou ficando velho. Será que estou ficando gagá?
Não custa sonhar, mas bem que o Clodovil mereceria passar à história com essa ação dele. Aprovada no congresso. E provando que não sou advinho nem megalômano e só meio internacional.
Para a quase meia duzia de pessoas que estão me dando força para manter esse blog, juro que vou começar a falar mais sôbre o que fiz e vivi enquanto ator em rádio, teatro, TV e dublagem.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Será que sou megalômano?

Eu pretendia abordar um assunto que me pareceu piada no início. Vamos por partes. Primeira parte: deu no "O Globo" de 05/07/2008, página 35.
Manchete: "A volta de Dante"; subtítulo: "Poeta é perdoado 706 anos depois de condenado à morte".
Matéria de página inteira. Li a matéria de página inteira.
Minha ligação com o Dante é antiga. Trata-se de Dante Alighieri, poeta italiano.
Aprendi muito cedo que êle era um dos muitos amantes que se notabilizaram através dos tempos. Sua amada seria Beatriz.
Pausa para uma explicação. O primeiro dinheiro que ganhei como ator profissional foi graças ao Dante, na rádio Cultura de Poços de Caldas, no ano de 1955. Tínhamos lá um profissional do "radio de verdade", o Sebastião Leporace, irmão de outro conhecido comunicador, Vicente Leporace.
Sebastião produzia e apresentava um programa semanal e se propoz a "descobrir talentos" naquela época e eu me candidatei. A prova era "ao vivo", com auditório e tudo o mais. Foi-me dado um texto do próprio Sebastião Leporace, um esquete radiofônico, "Amores célebres no século XX", "Dante e Beatriz". Era Dante, o poeta italiano.
Numa história curta e bem-humorada, tratava-se da discussão da relação entre os dois, Dante e Beatriz. Estariam morando junto há mais de 10 anos e até aquele momento ainda não tinha sido marcada a data para o casamento dos dois. Claro que tudo se passando na atualidade de então.
O esquete terminava com Dante, cìnicamente, exigindo do sôgro, pai de Beatriz, uma indenização visto que já tinha mais de 10 anos de casa e não poderia ser dispensado assim sem mais nem menos.
Esta a minha ligação com Dante. Graças a êle, ganhei meu primeiro "cachê" como ator. Me lembro da alegria que tive com meu primeiro dinheiro ganho. Outros vieram.
Mas voltemos à matéria do jornal. "Poeta é perdoado 706 anos depois de condenado à morte"?
Espere aí: esse tempo todo o poeta ficou no corredor da morte, aguardando a chegada do carrasco para cumprir a sentença macabra? O poeta era de Florença. A expectativa de vida de Florença era essa? Que juiz piedoso resolve comutar a sentença? Como seria a execução? Teria direito o condenado a um último desejo? E mais inúmeras interrogações, todas estupefatas.
Aí fui pesquisar mais a sério a história.
Dante Alighieri era de uma família de nobres e, ainda jovem, foi condenado à morte na fogueira, caso voltasse a cidade. Epa! O acusado não esteve presente ao julgamento? Não! Foi tudo jogada política da época. Era tudo um jogo para se aceitar ou não a máxima autoridade do papa de então.
E Beatriz onde entra nisso? Consta que Dante a viu sòmente UMA vez, quando ela era ainda uma criança. Um AMOR PLATÔNICO, e ... PEDÓFILO?
Quando a idéia do perdão a Dante foi debatida na Câmara dos Vereadores e não foi unânime. Muitos vereadores não compareceram e só tiveram quórum por UM VOTO.
Consta que o "perdão" foi concedido para se agradar a um único descendente de Dante. Que beleza se poder viver em Florença, uma cidade que não deve ter problema algum. Nunca estive lá, mas gostaria de poder ver como é a sociedade ideal, sem transito, sem barulho, sem poluição, sem nenhum dos problemas que afligem os comuns dos mortais. Uma cidade que se dá ao luxo de mobilizar seus representantes do povo para dar o perdão a quem nunca o pediu.
Aí eu me vejo tomado de megalomania. Como é? Simples. Todos os que me conhecem sabem que eu gostaria de montar um espetáculo, de cunho espírita, sob o tema ABÔRTO. Estaria também prestando meus serviços a uma causa na qual acredito, mas da qual não sou divulgador. Preferia mostrar através do teatro as causas e consequências desse atentado contra a vida espiritual. Sem proselitismo, que não é minha praia.
Recebo e-mail de pessoa conhecida falando da disposição de determinada pessoa que é candidata à prefeitura a me apoiar nessa empreitada.
Espera aí de novo. Quer dizer que para poder realizar meu projeto teria que me engajar a algum projeto paroquial de poder? Muito obrigado. Os espíritos que estão na fila de espera para reencarnar também agradecem. Preferiam fazê-lo em outras circunstâncias. Não precisam e não querem êsse auxílio político assim como Dante Alighieri também não pediu perdão a Florença quando em vida.
Isto posto, será que não estou sendo megalômano? Parece que depois que me descobri internacional tenho que voltar a exercitar a humildade, o que sempre fiz sem problemas.
Ou os representantes que Florença elege e nós aqui elegemos não merecem respeito?
Já fui Dante em início de carreira e estaria me preparando para um perdão 706 anos depois?
H-E-L-P! S-O-C-O-R-R-O!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Vou me meter a internacional.

Na minha última postagem contei que estive em São Paulo para visitar minha irmã que está para voltar à Patria Maior. Mas não fiz só isso, não.
Também aproveitei para ligar para um velho amigo meu, autor teatral, o Cesar Vieira. Batemos um bom papo pelo telefone e êle, que já tem diversos livros publicados, me falou de seus dois mais recentes.
No início de minha carreira como ator, éramos quase que inseparáveis. Protagonizamos cenas lindíssimas de amor à profissão e de talento de parte a parte. Êle fazia muitas conferências sôbre teatro e eu as ilustrava. Dava gosto inocular ideías de liberdade e cidadania nas cabeças jovens de então.
Fundamos um grupo de teatro que foi o embrião do "União e Olho Vivo".
Mas eu também precisava ganhar dinheiro. E a vida levou minha carreira para outros meios. Continuei ator. O grupo de teatro existe até hoje e já se apresentou até no exterior. Com sucesso. Participei de uma festa por ocasião do vigésimo quinto aniversário do grupo aqui no Rio de Janeiro e vi nos integrantes de então a mesma chama que me movia no início. Muito gratificante.
Mas o meu meio de sobrevivência e agora o local de moradia nos afastaram de novo. O Cesar Vieira em São Paulo e eu no Rio.
Pois bem: nessa última conversa êle me contou que sou citado nos dois últimos livros que publicou. E vai me mandar os exemplares. Para um grupo internacional, posso me meter a internacional.
E, enquanto eu contava isso ao meu técnico de informática, prestei atenção na Globonews. Foi libertada Ingrid Betancourt na Colombia. Acho que a grafia correta do nome dela é essa.
Me comoveu ela se ajoelhar e rezar no aeroporto agradecendo sua libertação.
Pra quem passou anos no cativeiro, espero que suas convicções democráticas continuem firmes.
Era a mesma liberdade que pregávamos na minha juventude nas conferências que o Cesar Vieira fazia. Só que vivíamos aqui numa ditadura.
Aí, logo mais no noticiário da noite, vejo o presidente dos EUA, o Bush, elogiar a ação que libertou a senadora Ingrid Betancourt, que tem dupla nacionalidade: é francesa e colombiana.
Como eu agora posso me julgar internacional, também vou elogiar a libertação. Só.
Sr. Bush, agora que o senhor já está sendo considerado um "pato manco", porque no te callas?
A liberdade agradece.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Porque me ausentei.

O mundo continuou maluco como sempre foi. Na minha última postagem disse que tinha me lembrado do Silvio Brito, cantor popular dos anos 80. Continuo na mesma. E vou tentar justificar minha ausência por alguns dias. Ausência que espero não se repita.
Silvio Brito pedia numa canção para que parassem o mundo para que ele pudesse descer. Tinha que pagar para nascer, pagar para viver, pagar para morrer.
Tenho irmãs ainda vivas (?!) em São Paulo. Uma delas. enquanto escrevo, ainda está viva mas prestes a embarcar para a Pátria Maior. Tive que ir a São Paulo para aquela despedida e lá não tinha acesso à internet, razão pela qual me ausentei.
Não tive coragem de continuar a enfrentar o frio paulistano e esperar que minha irmã desencarnasse. Como a morte não existe (acredito piamente nisso), voltei para o Rio onde me adapto melhor às temperaturas, muito embora aqui também faça frio. Mas um frio suportável para um paulista como eu.
Voltando à minha irmã. Fui visitá-la em seu leito. Ao vê-la agonizando, orei por ela, que era o que eu poderia fazer.
Ela não me reconheceu. Não reconhece mais ninguém. Então que estava eu fazendo ali ao lado de um ser que a qualquer hora vai deixar este mundo maluco? Antes de voltar ao Rio, falei ao telefone com a filha dela, minha sobrinha, apenas 5 anos mais nova do que eu e que foi minha companheira de infância. Nos falamos por quase uma hora e tentei consolá-la e justificar minha ausência nessa hora difícil para ela.
Inevitavelmente, contei para ela nessa hora de papo as agruras pelas quais passei há 3 anos, quando eu quase desencarnei. Mas isso é outra história.
Minha sobrinha é uma batalhadora. É professora universitária e dá aulas pela manhã, tarde e noite. Este ano tem sob sua responsabilidade 500 e poucos alunos. Dentre outras coisas falou da impossibilidade que tinha de manter sua mãe em casa. Então o jeito foi colocá-la numa clínica para idosos. Lá minha irmã tem assistência 24 horas por dia. Fui visitar minha irmã e imagino
o gasto dos filhos dela. É minha sobrinha e seu irmão, este 10 anos mais novo que eu. Os dois desdobram-se para visitar minha irmã diàriamente.
Aí entra o Silvio Brito. Minha outra irmã me contou há quanto tempo essa clínica cuida da doente e quanto cobra. Neste mundo tem que pagar para nascer, pagar para viver e... pagar para morrer.
Minha sobrinha me disse saber que sua mãe já está na sua fase irreversível. Não há mais esperanças. Mas que paga e pagaria mais ainda por uma reversão no quadro. Ela e seu irmão não medem esforços.
Porisso me ausentei, mas prometo voltar com mais frequencia. Porque voltando ao Rio e me atualizando nas minhas correspondencias da internet encontrei um contato que está me assustando (para o bem) pelas coincidências. Começou pela crença e...
Não vou continuar para não gorar, como se dizia antigamente.
Eu volto. Até a próxima.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Para o mundo que eu quero descer.

Eu me lembrei do Silvio Brito, cantor muito popular por volta de 1975/1980. Popular e também compositor dos bons. Não sei o que ele anda fazendo mas deve estar levando sua vida honestamente em algum canto deste Brasil.
Porque me lembrei dêle?
Porque na cadeia de Palmas de Monte Alto (BA), a 839 kms de Salvador, aconteceu algo inusitado, para mim pelo menos.
Em 11/06/2008, uma confusão enorme. Dois presos da mesma cela e com o mesmo prenome: Adailton. Não vem ao caso os motivos que levaram os dois à prisão.
Um oficial de Justiça solicitou ao carcereiro que libertasse Adailton Rodrigues. O carcereiro não se deu conta de que Rodrigues já havia sido solto e libbertou Adailton Luis de Jesus da Silva. Surpreso, Adailton L.J. da Silva recolheu seus pertences e se mandou. Ele estava foragido desde 2005 depois de matar o sogro a facadas.
Ao chegar em casa, Adailton Luis de Jesus da Silva soube pela família que havia sido solto por engano. Como não sabe ler, pediu que lessem para ele o alvará de soltura. Daí pediu para ser preso novamente. E foi. O delegado José Ribeiro Cruz instaurou inquérito para apurar responsabilidades.
Daí vejo na Globonews notícia que dá conta da visita de George W. Bush ao Papa. Bush diz que não quer ser lembrado pela guerra e sim por suas outras realizações (!?!?!?) Dizem no meio diplomático que foi a recepção mais calorosa dada a um chefe de estado extrangeiro.
Alguns jornais italianos insinuam que talvez seja porque Bush, que é protestante, estaria para se converter ao catolicismo.
Socorro, Silvio Brito. Se você continua querendo que parem o mundo para você descer, aguenta um pouco que eu também quero.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Doces memórias.

Hoje me deu uma tremenda vontade de me empanturrar de doces. Não sei porque. Doce em excesso faz mal à saude. Enquanto me decidia se ia ou não me entregar a essa vontade, lembrei de pessoas que também me lembram doçura.
Não é que me esqueci dos doces materiais e preferi ficar com os doces espirituais.
Uma das maiores dificuldades hoje em dia para quem milita em teatro é achar um bom texto.
Tenho amigos dramaturgos, não muitos, mas tenho. Só que estou procurando algo diferente, algo que meus outros amigos dramaturgos talvez não tenham.
Há tempos, descobri, através da internet que um velho amigo, ator e dos bons, já tem alguns livros publicados. Conhecemo-nos na AIC. Ele era do primeiro time de atores e eu um principiante que ainda estava lutando para aprender alguma coisa de dublagem. Eram ainda aqueles tempos em que a dublagem só dava dinheiro para os patrões. Igualzinho a hoje, só que naqueles tempos o pagamento (!?) pela dublagem era muito pior. Ops, não quero tergiversar a respeito desse assunto, deve ter gente que acha que a dublagem paga muito bem. E o assunto é a respeito de pessoas doces. Continuemos, pois.
Tinha chegado à AIC um seriado, "O Homem de Virginia", e o meu amigo dublava o próprio. Estou falando do Wilson Ribeiro, e prefiro tratá-lo por esse nome, apesar de saber ser um pseudônimo. Normalmente os cabeças de série ganhavam muito mais em relação aos seus coadjuvantes, uma vez que sua participação era maior. Eu ganhei um fixo nessa série, o Ryker, que vinha a ser o ajudante do xerife de Shilo, a cidade onde se passava tudo nessa série. Nos três primeiros episódios dessa temporada, minha participação foi pífia. No quarto, nem entrei. Mas era o único trabalho que a casa estava tendo. Maldições mil, fazer o que?
O Wilson pacientemente encorajava o ator que estava aprendendo; dublagem é assim mesmo, tem muito num dia e nada no outro. Do quinto episódio em diante, aquele coadjuvante cresceu na série e se manteve assim até o final, pelo menos durante o tempo em que ficou na AIC. Nos botecos que frequentávamos, o Wilson falava do seu desejo de ficar rico. Cada dia era um plano, que ele expunha detalhadamente; não tinha como dar errado. O Wilson estava predestinado a ficar rico, mas fora da dublagem. Isso ele pensava. Um dia o Wilson se afastou da dublagem para montar sua própria industria. Só o vi uma ou duas vezes depois disso e a vida seguiu seu curso.
Eu continuei e fui acumulando experiências, umas boas, outras más. Agora uma pausa que vou trocar de doce.
Eu estava ainda em São Paulo, quando recebi o melhor presente da minha vida. Era dia de pagamento na empresa onde trabalhava, fazia espetáculos de bonecos vivos. Apesar de dia de pagamento, tínhamos dois espetáculos no Colégio Arquidiocesano de São Paulo, na Vila Mariana. Fim de mês, ator fica duro que nem côco; e no intervalo do primeiro para o segundo espetáculo, vi as funcionárias encarregadas da folha de pagamento... assistindo ao espetáculo. Ainda precisaríamos ir até a séde, após o espetáculo, para assinar recibos, saber quanto teríamos a receber, para depois ir ao banco. Pela hora, não ia dar de jeito nenhum. E era sexta-feira. Um fim de semana todinho sem grana. Ainda não existiam caixas eletrônicos; não recebeu até sexta, só na segunda. Mas veio também um recado do Libero Miguel, que era o diretor: todo mundo na séde após o espetáculo. Era uma ORDEM.
Fêz-se o espetáculo e, bom, vamos obedecer à ordem. A condução era difícil, não tinha nenhuma direta. Quando estou entrando na séde, veio o outro doce: a Nair (Nair Silva, excelente atriz, brilhante dubladora). A Nair já chegou dizendo: - "Chico, só faltava você!"
Eu estava preocupado com o pagamento, porque o banco daí a pouco ia fechar. A Nair me pegou pela mão e disse: -"Vem cá!"
Eu, aparentando displicência, disse: -"Mas eu não fiz nada... ainda."
A Nair disse: - "Não é o que você fêz; é o que vai fazer!"
E eu recebi então o maior presente que Deus me deu. Ela sabe o que é.
No orkut acabei reencontrando primeiro a Nair e depois o Wilson Ribeiro. Fazem parte dos meus amigos de coração. Não sei se o Wilson Ribeiro ficou milionário de dinheiro, como pretendia.
Mas pelos e-mails que temos trocado, ele ficou milionário de uma coisa que vale muito mais que dinheiro; tem um excelente caráter e um belo saldo com Deus.
Não vejo a Nair Silva há uns dez anos; também ela deve ter também um bom saldo com Deus.
Ah, pedi para o Wilson escrever algo para teatro. Sabem o que êle disse: não, não é sua praia.
Enquanto não consigo convencê-lo, senti um enorme prazer em me lembrar de 2 pessoas docíssimas. Se fôsse diabético, estaria tendo problemas seríssimos por excesso de doçura.
Mas seria uma tremenda falha de caráter da minha parte se não reconhecesse o quanto essas duas pessoas fizeram por mim. Wilson Ribeiro e Nair Silva, minhas doces memórias.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Drops.

Como eu disse uma vez, não costumo ler de cara a matéria que deu origem à manchete do dia. Pego os jornais e procuro, geralmente, os cronistas dos quais eu gosto. Hoje por exemplo é dia da Cora Rónai, de O Globo. Lá fui eu direto para sua crônica enão é que ela bandidamente me pegou pelo pescoço? Não tenho gatos, não quero tê-los por falta de espaço e também por egoismo. Não se tem gatos; os gatos é que tem a gente. Isso é o que sempre eu achei. Tive um gato na minha mocidade, viralatas legítimo, que me ensinou essa lição: os gatos é que são donos da gente. O meu gato, Brasinha era o seu nome, costumava ser o dono da casa e não adiantava minha mãe querer achar o contrário. Ele tinha seu canto preferido, não sujava a não ser no vaso (juro), e para comer eu tinha que providenciar diàriamente uma sardinha ou um bifinho cru, sem tempero. Naquele tempo ainda não se falava em ração animal. Mas eu morava num sétimo andar, ainda em São Paulo.
Pois não é que o Brasinha descobriu que no mesmo prédio existia uma fêmea? Não sossegou mais, até cometer um ato extremo. Já que seu pretenso dono não lhe facilitou a vida, ele mesmo tomou outra atitude: tentou voar para tentar chegar perto de sua amada. É claro que uma queda de 7 andares não é pequena, até para gatos. O Brasinha foi para o ceu dos gatos e eu decidi: gatos, nunca mais.
No mesmo dia, eu tinha que fazer um exercício de interpretação na Escola de Arte Dramática, com minha professora Dorothy Leirner. Não devia dizer uma única palavra, só expressões faciais. Exercício simples: subir numa escada e desce-la. Quando chegasse ao alto, começava o exercício. Tinha que mostrar grande alegria e começar a descer. À medida que descesse, a expressão teria que mudar para tristeza.
Aí, tive meu grande achado; era só usar a memória emotiva, o Brasinha, claro.
Lá no alto lembrei das alegrias que ele tinha se dignado a me proporcionar e fui descendo. No meio, já estava me lembrando de seu corpo estatelado no chão. Não preciso dizer que terminei o exercício em lágrimas. Nunca contei o segredo de como cheguei a esse resultado no exercício.
A professora Dorothy Leirner achou estupenda a atuação, ainda mais vindo de um ator que não parecia muito interessado em interpretações piegas; eu preferia o teatro político, era mais de acordo comigo.
Aí eu volto para a Cora Rónai. O título de sua cronica é "Adeus ao Canalha Amarelo". E o Moska, esse o nome do gatinho dela, teve um fim diferente, mas também conviveu com ela, e intensamente, parece. Até também ir para o ceu dos gatos.
Entendo as razões da Cora. Mas, no caso do meu Brasinha primeiro e único, não posso nem pensar em chamá-lo de canalha, que ele também foi. Para quem morreu tentando chegar a sua amada do momento, foi uma morte gloriosa. Mas o canalha fui eu. Por ter faturado um exercício de interpretação e por não ter entendido que os gatos afinal também amam.
Fui.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Do mundo e suas doideiras.

Quando criei o blog, primeiramente confessei minha ignorancia completa a respeito disso. Mas, como bom cara-de-pau, contava com a compreensão dos meus amigos. E ela veio. Meus amigos são muito generosos. Ai, aguentem firme.
Porque um blog? Ao escolher o nome ocorreu um daqueles erros de informática que dão a sensação de que o mundo vai desabar sobre nossas cabeças. Teimoso que sou retomei a operação de criação do mesmo mas fui informado de que o nome escolhido já existia. É claro que existia, pois eu mesmo estava tentando criá-lo. Aí a informática praticamente me obrigou a mudar o nome do Blog. Escolhi então um similar, mundo-maluco. Resultado: acabei ficando com os dois.
Então postei minha justificativa no mundo-maluco, informando que iria comentar coisas que vivi na minha carreira de ator, mas não me limitaria a isso. Iria também comentar notícias que no jornal ocupam espaço mínimo.
Pois bem: em minha primeira postagem extranhei o recebimento de um Certificado de Reconhecimento de Conduta Exemplar. Achei extranho e também me dei conta de que neste ano haverá eleições. Meu filho Pedro Henrique matou a pau; o responsável pelo envio do tal Certificado vai ser candidato a prefeito, parece que de Volta Redonda. Bolas, moro no Rio e aqui tenho meu domicílio eleitoral. Será que vou ser convidado para servir de exemplo cívico aos cidadãos de Volta Redonda? Por favor, me incluam fora dessa.
Outro assunto, porque política e políticos só nos enchem o saco.
Minha amiga Sumara me repassou um e-mail informando que os dubladores da série "Os Simpsons" acertaram com a Fox e vão receber até 400.000 US$ POR EPISÓDIO.
E aqui no Brasil não só a Fox, como as demais distribuidoras, estão empurrando goela abaixo de nossos artistas um contrato em que obrigam os mesmos a abrirem mão de todo um passado de serviços prestados para que elas, as distribuidoras, se apropriem do trabalho desses artistas e possam lançar caixas de DVDs com velhas dublagens.
Não era o caso de lembrar que PIRATARIA É CRIME? O que pretendem? Regulamentar a pirataria, desde que seja a favor delas? Ah! O pagamento por hora para os artistas brasileiros ainda não chega a R$70,00 por hora, é menos que isso. Ainda se o artista tiver a sorte de cair na mão de um/a diretor/a que tenha consciencia e que não explore. Sou otimista: ainda deve existir algum elemento desses no meio. Pelo menos, eu acho.
Agora uma notícia local, aqui do Rio. Centro espírita atacado por fanáticos entrará na justiça por causa de danos.
O Brasil é um estado laico. Assumidamente miscigenado, garante liberdade religiosa a todos os cidadãos. Ora, o que deu o direito a 4 desordeiros de invadir uma casa alheia e por 30 minutos berrarem que ali estavam em nome de Jesus e expulsando demonios? E o pastor responsável pela seita (porque é seita mesmo) dizer que ia conversar com os malfeitores porque sua igreja (!?) desaprovava a atitude deles? Soube-se que os adeptos dessa igreja (!?) somam 50 pessoas.
Para esses bandoleiros, lugar ideal para expulsar demonios seria uma boa cadeia. Queria ver essa valentia toda lá.
Gente, prometo que na próxima postagem vou tentar falar de gente da melhor qualidade que conheci e que passou para o andar de cima. Gente que emprestou seu talento para enobrecer a arte de representar. Gente que passou para o andar de cima mas deixou exemplos de trabalho e que podem ainda nos ajudar a suportar esse mundo doido/maluco.
Espero que daqui pra frente eu também acerte no postar. Até.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Recebi meu diploma

Recebi pelo correio um envelope enorme, que foi entregue sob protocolo na portaria do meu prédio. Vinha do Detran/RJ. Cruzes! O Detran me descobriu, apesar de eu não ter agredido ninguém, mas é que sou doido o bastante para ter um martelo no carro. E se alguém foi agredido com martelo no transito do Rio e eu não fiquei sabendo? Já tinha havido um caso de agressão a barra de ferro no transito do Rio; o agressor já era conhecido das autoridades e, segundo um laudo médico, era portador de certa esquizofrenia. A família já vinha há tempos tentando interditá-lo, parece que sem sucesso. Mas e eu? Não agredi ninguém, nenhum dos meus filhos quer me interditar, ainda. Peguei o envelopão que o porteiro me passou, tratei de tirar o martelo do carro e subi rápido para meu apartamento.
Aí, cuidadosamente, abri o envelope. Lá estava um Certificado de Reconhecimento de Conduta Exemplar, acompanhado de uma carta louvando minha disciplina porque, ao sair de casa para trabalhar ou passear com a família, ao levar os filhos à escola, bla,bla,bla, transformei uma atividade rotineira em uma lição de cidadania.
Bolas, não me encaixo em nada disso! Não saio tanto assim e, nas vezes em que o faço, minha preocupação maior é não ter um revolver apontado para minha cara e perder a dignidade em 10 segundos, como já aconteceu uma vez.
Também evito os pedaços dessa cidade que me acolheu onde tem os malditos pardais que cismam que todo motorista tem obrigação de ser sócio-contribuinte da prefeitura numa indústria de multas vergonhosa.
Já me refiz do susto e da surpreza. Agradeço ao Detran/RJ a gentileza, mas preferia um transito mais humano, com a presença de autoridades para coibir abusos, educar.
Os demais elogios na carta protocolar (quantas mais o Detran/RJ terá enviado?) é melhor esquecer porque aí me dei conta: teremos eleições este ano? Este mundo é muito doido mesmo.