quarta-feira, 25 de junho de 2008

Porque me ausentei.

O mundo continuou maluco como sempre foi. Na minha última postagem disse que tinha me lembrado do Silvio Brito, cantor popular dos anos 80. Continuo na mesma. E vou tentar justificar minha ausência por alguns dias. Ausência que espero não se repita.
Silvio Brito pedia numa canção para que parassem o mundo para que ele pudesse descer. Tinha que pagar para nascer, pagar para viver, pagar para morrer.
Tenho irmãs ainda vivas (?!) em São Paulo. Uma delas. enquanto escrevo, ainda está viva mas prestes a embarcar para a Pátria Maior. Tive que ir a São Paulo para aquela despedida e lá não tinha acesso à internet, razão pela qual me ausentei.
Não tive coragem de continuar a enfrentar o frio paulistano e esperar que minha irmã desencarnasse. Como a morte não existe (acredito piamente nisso), voltei para o Rio onde me adapto melhor às temperaturas, muito embora aqui também faça frio. Mas um frio suportável para um paulista como eu.
Voltando à minha irmã. Fui visitá-la em seu leito. Ao vê-la agonizando, orei por ela, que era o que eu poderia fazer.
Ela não me reconheceu. Não reconhece mais ninguém. Então que estava eu fazendo ali ao lado de um ser que a qualquer hora vai deixar este mundo maluco? Antes de voltar ao Rio, falei ao telefone com a filha dela, minha sobrinha, apenas 5 anos mais nova do que eu e que foi minha companheira de infância. Nos falamos por quase uma hora e tentei consolá-la e justificar minha ausência nessa hora difícil para ela.
Inevitavelmente, contei para ela nessa hora de papo as agruras pelas quais passei há 3 anos, quando eu quase desencarnei. Mas isso é outra história.
Minha sobrinha é uma batalhadora. É professora universitária e dá aulas pela manhã, tarde e noite. Este ano tem sob sua responsabilidade 500 e poucos alunos. Dentre outras coisas falou da impossibilidade que tinha de manter sua mãe em casa. Então o jeito foi colocá-la numa clínica para idosos. Lá minha irmã tem assistência 24 horas por dia. Fui visitar minha irmã e imagino
o gasto dos filhos dela. É minha sobrinha e seu irmão, este 10 anos mais novo que eu. Os dois desdobram-se para visitar minha irmã diàriamente.
Aí entra o Silvio Brito. Minha outra irmã me contou há quanto tempo essa clínica cuida da doente e quanto cobra. Neste mundo tem que pagar para nascer, pagar para viver e... pagar para morrer.
Minha sobrinha me disse saber que sua mãe já está na sua fase irreversível. Não há mais esperanças. Mas que paga e pagaria mais ainda por uma reversão no quadro. Ela e seu irmão não medem esforços.
Porisso me ausentei, mas prometo voltar com mais frequencia. Porque voltando ao Rio e me atualizando nas minhas correspondencias da internet encontrei um contato que está me assustando (para o bem) pelas coincidências. Começou pela crença e...
Não vou continuar para não gorar, como se dizia antigamente.
Eu volto. Até a próxima.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Para o mundo que eu quero descer.

Eu me lembrei do Silvio Brito, cantor muito popular por volta de 1975/1980. Popular e também compositor dos bons. Não sei o que ele anda fazendo mas deve estar levando sua vida honestamente em algum canto deste Brasil.
Porque me lembrei dêle?
Porque na cadeia de Palmas de Monte Alto (BA), a 839 kms de Salvador, aconteceu algo inusitado, para mim pelo menos.
Em 11/06/2008, uma confusão enorme. Dois presos da mesma cela e com o mesmo prenome: Adailton. Não vem ao caso os motivos que levaram os dois à prisão.
Um oficial de Justiça solicitou ao carcereiro que libertasse Adailton Rodrigues. O carcereiro não se deu conta de que Rodrigues já havia sido solto e libbertou Adailton Luis de Jesus da Silva. Surpreso, Adailton L.J. da Silva recolheu seus pertences e se mandou. Ele estava foragido desde 2005 depois de matar o sogro a facadas.
Ao chegar em casa, Adailton Luis de Jesus da Silva soube pela família que havia sido solto por engano. Como não sabe ler, pediu que lessem para ele o alvará de soltura. Daí pediu para ser preso novamente. E foi. O delegado José Ribeiro Cruz instaurou inquérito para apurar responsabilidades.
Daí vejo na Globonews notícia que dá conta da visita de George W. Bush ao Papa. Bush diz que não quer ser lembrado pela guerra e sim por suas outras realizações (!?!?!?) Dizem no meio diplomático que foi a recepção mais calorosa dada a um chefe de estado extrangeiro.
Alguns jornais italianos insinuam que talvez seja porque Bush, que é protestante, estaria para se converter ao catolicismo.
Socorro, Silvio Brito. Se você continua querendo que parem o mundo para você descer, aguenta um pouco que eu também quero.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Doces memórias.

Hoje me deu uma tremenda vontade de me empanturrar de doces. Não sei porque. Doce em excesso faz mal à saude. Enquanto me decidia se ia ou não me entregar a essa vontade, lembrei de pessoas que também me lembram doçura.
Não é que me esqueci dos doces materiais e preferi ficar com os doces espirituais.
Uma das maiores dificuldades hoje em dia para quem milita em teatro é achar um bom texto.
Tenho amigos dramaturgos, não muitos, mas tenho. Só que estou procurando algo diferente, algo que meus outros amigos dramaturgos talvez não tenham.
Há tempos, descobri, através da internet que um velho amigo, ator e dos bons, já tem alguns livros publicados. Conhecemo-nos na AIC. Ele era do primeiro time de atores e eu um principiante que ainda estava lutando para aprender alguma coisa de dublagem. Eram ainda aqueles tempos em que a dublagem só dava dinheiro para os patrões. Igualzinho a hoje, só que naqueles tempos o pagamento (!?) pela dublagem era muito pior. Ops, não quero tergiversar a respeito desse assunto, deve ter gente que acha que a dublagem paga muito bem. E o assunto é a respeito de pessoas doces. Continuemos, pois.
Tinha chegado à AIC um seriado, "O Homem de Virginia", e o meu amigo dublava o próprio. Estou falando do Wilson Ribeiro, e prefiro tratá-lo por esse nome, apesar de saber ser um pseudônimo. Normalmente os cabeças de série ganhavam muito mais em relação aos seus coadjuvantes, uma vez que sua participação era maior. Eu ganhei um fixo nessa série, o Ryker, que vinha a ser o ajudante do xerife de Shilo, a cidade onde se passava tudo nessa série. Nos três primeiros episódios dessa temporada, minha participação foi pífia. No quarto, nem entrei. Mas era o único trabalho que a casa estava tendo. Maldições mil, fazer o que?
O Wilson pacientemente encorajava o ator que estava aprendendo; dublagem é assim mesmo, tem muito num dia e nada no outro. Do quinto episódio em diante, aquele coadjuvante cresceu na série e se manteve assim até o final, pelo menos durante o tempo em que ficou na AIC. Nos botecos que frequentávamos, o Wilson falava do seu desejo de ficar rico. Cada dia era um plano, que ele expunha detalhadamente; não tinha como dar errado. O Wilson estava predestinado a ficar rico, mas fora da dublagem. Isso ele pensava. Um dia o Wilson se afastou da dublagem para montar sua própria industria. Só o vi uma ou duas vezes depois disso e a vida seguiu seu curso.
Eu continuei e fui acumulando experiências, umas boas, outras más. Agora uma pausa que vou trocar de doce.
Eu estava ainda em São Paulo, quando recebi o melhor presente da minha vida. Era dia de pagamento na empresa onde trabalhava, fazia espetáculos de bonecos vivos. Apesar de dia de pagamento, tínhamos dois espetáculos no Colégio Arquidiocesano de São Paulo, na Vila Mariana. Fim de mês, ator fica duro que nem côco; e no intervalo do primeiro para o segundo espetáculo, vi as funcionárias encarregadas da folha de pagamento... assistindo ao espetáculo. Ainda precisaríamos ir até a séde, após o espetáculo, para assinar recibos, saber quanto teríamos a receber, para depois ir ao banco. Pela hora, não ia dar de jeito nenhum. E era sexta-feira. Um fim de semana todinho sem grana. Ainda não existiam caixas eletrônicos; não recebeu até sexta, só na segunda. Mas veio também um recado do Libero Miguel, que era o diretor: todo mundo na séde após o espetáculo. Era uma ORDEM.
Fêz-se o espetáculo e, bom, vamos obedecer à ordem. A condução era difícil, não tinha nenhuma direta. Quando estou entrando na séde, veio o outro doce: a Nair (Nair Silva, excelente atriz, brilhante dubladora). A Nair já chegou dizendo: - "Chico, só faltava você!"
Eu estava preocupado com o pagamento, porque o banco daí a pouco ia fechar. A Nair me pegou pela mão e disse: -"Vem cá!"
Eu, aparentando displicência, disse: -"Mas eu não fiz nada... ainda."
A Nair disse: - "Não é o que você fêz; é o que vai fazer!"
E eu recebi então o maior presente que Deus me deu. Ela sabe o que é.
No orkut acabei reencontrando primeiro a Nair e depois o Wilson Ribeiro. Fazem parte dos meus amigos de coração. Não sei se o Wilson Ribeiro ficou milionário de dinheiro, como pretendia.
Mas pelos e-mails que temos trocado, ele ficou milionário de uma coisa que vale muito mais que dinheiro; tem um excelente caráter e um belo saldo com Deus.
Não vejo a Nair Silva há uns dez anos; também ela deve ter também um bom saldo com Deus.
Ah, pedi para o Wilson escrever algo para teatro. Sabem o que êle disse: não, não é sua praia.
Enquanto não consigo convencê-lo, senti um enorme prazer em me lembrar de 2 pessoas docíssimas. Se fôsse diabético, estaria tendo problemas seríssimos por excesso de doçura.
Mas seria uma tremenda falha de caráter da minha parte se não reconhecesse o quanto essas duas pessoas fizeram por mim. Wilson Ribeiro e Nair Silva, minhas doces memórias.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Drops.

Como eu disse uma vez, não costumo ler de cara a matéria que deu origem à manchete do dia. Pego os jornais e procuro, geralmente, os cronistas dos quais eu gosto. Hoje por exemplo é dia da Cora Rónai, de O Globo. Lá fui eu direto para sua crônica enão é que ela bandidamente me pegou pelo pescoço? Não tenho gatos, não quero tê-los por falta de espaço e também por egoismo. Não se tem gatos; os gatos é que tem a gente. Isso é o que sempre eu achei. Tive um gato na minha mocidade, viralatas legítimo, que me ensinou essa lição: os gatos é que são donos da gente. O meu gato, Brasinha era o seu nome, costumava ser o dono da casa e não adiantava minha mãe querer achar o contrário. Ele tinha seu canto preferido, não sujava a não ser no vaso (juro), e para comer eu tinha que providenciar diàriamente uma sardinha ou um bifinho cru, sem tempero. Naquele tempo ainda não se falava em ração animal. Mas eu morava num sétimo andar, ainda em São Paulo.
Pois não é que o Brasinha descobriu que no mesmo prédio existia uma fêmea? Não sossegou mais, até cometer um ato extremo. Já que seu pretenso dono não lhe facilitou a vida, ele mesmo tomou outra atitude: tentou voar para tentar chegar perto de sua amada. É claro que uma queda de 7 andares não é pequena, até para gatos. O Brasinha foi para o ceu dos gatos e eu decidi: gatos, nunca mais.
No mesmo dia, eu tinha que fazer um exercício de interpretação na Escola de Arte Dramática, com minha professora Dorothy Leirner. Não devia dizer uma única palavra, só expressões faciais. Exercício simples: subir numa escada e desce-la. Quando chegasse ao alto, começava o exercício. Tinha que mostrar grande alegria e começar a descer. À medida que descesse, a expressão teria que mudar para tristeza.
Aí, tive meu grande achado; era só usar a memória emotiva, o Brasinha, claro.
Lá no alto lembrei das alegrias que ele tinha se dignado a me proporcionar e fui descendo. No meio, já estava me lembrando de seu corpo estatelado no chão. Não preciso dizer que terminei o exercício em lágrimas. Nunca contei o segredo de como cheguei a esse resultado no exercício.
A professora Dorothy Leirner achou estupenda a atuação, ainda mais vindo de um ator que não parecia muito interessado em interpretações piegas; eu preferia o teatro político, era mais de acordo comigo.
Aí eu volto para a Cora Rónai. O título de sua cronica é "Adeus ao Canalha Amarelo". E o Moska, esse o nome do gatinho dela, teve um fim diferente, mas também conviveu com ela, e intensamente, parece. Até também ir para o ceu dos gatos.
Entendo as razões da Cora. Mas, no caso do meu Brasinha primeiro e único, não posso nem pensar em chamá-lo de canalha, que ele também foi. Para quem morreu tentando chegar a sua amada do momento, foi uma morte gloriosa. Mas o canalha fui eu. Por ter faturado um exercício de interpretação e por não ter entendido que os gatos afinal também amam.
Fui.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Do mundo e suas doideiras.

Quando criei o blog, primeiramente confessei minha ignorancia completa a respeito disso. Mas, como bom cara-de-pau, contava com a compreensão dos meus amigos. E ela veio. Meus amigos são muito generosos. Ai, aguentem firme.
Porque um blog? Ao escolher o nome ocorreu um daqueles erros de informática que dão a sensação de que o mundo vai desabar sobre nossas cabeças. Teimoso que sou retomei a operação de criação do mesmo mas fui informado de que o nome escolhido já existia. É claro que existia, pois eu mesmo estava tentando criá-lo. Aí a informática praticamente me obrigou a mudar o nome do Blog. Escolhi então um similar, mundo-maluco. Resultado: acabei ficando com os dois.
Então postei minha justificativa no mundo-maluco, informando que iria comentar coisas que vivi na minha carreira de ator, mas não me limitaria a isso. Iria também comentar notícias que no jornal ocupam espaço mínimo.
Pois bem: em minha primeira postagem extranhei o recebimento de um Certificado de Reconhecimento de Conduta Exemplar. Achei extranho e também me dei conta de que neste ano haverá eleições. Meu filho Pedro Henrique matou a pau; o responsável pelo envio do tal Certificado vai ser candidato a prefeito, parece que de Volta Redonda. Bolas, moro no Rio e aqui tenho meu domicílio eleitoral. Será que vou ser convidado para servir de exemplo cívico aos cidadãos de Volta Redonda? Por favor, me incluam fora dessa.
Outro assunto, porque política e políticos só nos enchem o saco.
Minha amiga Sumara me repassou um e-mail informando que os dubladores da série "Os Simpsons" acertaram com a Fox e vão receber até 400.000 US$ POR EPISÓDIO.
E aqui no Brasil não só a Fox, como as demais distribuidoras, estão empurrando goela abaixo de nossos artistas um contrato em que obrigam os mesmos a abrirem mão de todo um passado de serviços prestados para que elas, as distribuidoras, se apropriem do trabalho desses artistas e possam lançar caixas de DVDs com velhas dublagens.
Não era o caso de lembrar que PIRATARIA É CRIME? O que pretendem? Regulamentar a pirataria, desde que seja a favor delas? Ah! O pagamento por hora para os artistas brasileiros ainda não chega a R$70,00 por hora, é menos que isso. Ainda se o artista tiver a sorte de cair na mão de um/a diretor/a que tenha consciencia e que não explore. Sou otimista: ainda deve existir algum elemento desses no meio. Pelo menos, eu acho.
Agora uma notícia local, aqui do Rio. Centro espírita atacado por fanáticos entrará na justiça por causa de danos.
O Brasil é um estado laico. Assumidamente miscigenado, garante liberdade religiosa a todos os cidadãos. Ora, o que deu o direito a 4 desordeiros de invadir uma casa alheia e por 30 minutos berrarem que ali estavam em nome de Jesus e expulsando demonios? E o pastor responsável pela seita (porque é seita mesmo) dizer que ia conversar com os malfeitores porque sua igreja (!?) desaprovava a atitude deles? Soube-se que os adeptos dessa igreja (!?) somam 50 pessoas.
Para esses bandoleiros, lugar ideal para expulsar demonios seria uma boa cadeia. Queria ver essa valentia toda lá.
Gente, prometo que na próxima postagem vou tentar falar de gente da melhor qualidade que conheci e que passou para o andar de cima. Gente que emprestou seu talento para enobrecer a arte de representar. Gente que passou para o andar de cima mas deixou exemplos de trabalho e que podem ainda nos ajudar a suportar esse mundo doido/maluco.
Espero que daqui pra frente eu também acerte no postar. Até.